Para recapitular, o que posso resumir é que no post "part I" eu tentava travar um diálogo sobre as incontáveis mortes que sempre aconteciam no Power Rangers quando o monstro ficava gigante e derrubava uns 4 prédios num único trupicão. Sendo que só depois o monstro e o megazord iam lutar na floresta. Ou nas montanhas. Além das mortes das centenas de pessoas que morava em um único prédio [durante uma luta no horário da escola, ou seja, entre 11:00-14:00], eu tambem imaginava a ultra-super-duper-power-over-motherfucker capacidade irada e fodona dos engenheiros que eram formados na Faculdade de Engenharia Civil da Alameda dos Anjos, a famosa FECAA. Os prédios eram derrubados em um dia, e no outro episódio já estava tudo de pé [levando em consideração que apenas poucos dias se passavam entre um episódio e outro no power ranger]. E os prédios estavam lá de novo pronto para serem derrubados, o que nos leva a uma teoria de como os Power Rangers acabaram e a Alameda dos Anjos ficou abandonada.
Com a grande destruição de prédios, casas, assassinatos, monstros gigantes, bonecos de massa (ah-lululululu), desordem geral nas feiras felizes, brigas nos parques, jovens voando em explosões etc... o mercado imobiliário não teve tantas alternativas para conseguir vender seus novos prédios que sempre eram construídos. Com o tempo, as pessoas foram se afastando da Alameda dos Anjos. Os preços cairam drasticamente. Os créditos não tinham força no mercado. Os juros foram ficando baixos. As especulações financeiras sobre o futuro domiciliar e imobiliário da Alameda dos Anjos estavam com seus dias contados. Era difícil viver em uma área que estava a todo momento propícia a sofrer algumas explosões e, pior ainda, o seguro não cobria os acidentes não-naturais.
Os Power-Rangers foram acabados pela crise imobiliária.
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Mas, esse pecqueno lapso de revisão de uma antiga ideia é apenas para dizer que, além dos power rangers, outros personagens também sofrem nas televisões e que ninguém dá atenção:
Os cavalos.
Estava assistindo um programa da MTV [playlist] e, dentro de inúmeros clipes de rock interessantes, um acabou me chamando a atenção: The Trooper, da banda britânica Iron Maiden. Nesse clipe há cenas de guerra, com soldados correndo, e outros atirando, e outros em um clássico combate montado. O foda é que no meio da batalha as bombas explodem, as pessoas caem no chão, os riflemans atiram e a todo momento sempre aparece uma cena do pobre cavalinho se estatelando no chão. Porra, tinha umas cenas do cavalo voando, capotando, dando umas piruetas no estilo Daianne dos Santos. Coisa foda de se ver. E ninguém se importa com os cavalos durante as guerras, eles são vistos apenas como ferramentas. sniff, sniff.
Salvador Correa de Sá, quando foi conquistar Angola dos holandeses, carregou cavalos para ir descer a porrada lá na África. Eu não li o livro do britânico Charles Boxer [Salvador de Sá e a luta por Brasil e Angola], mas espero que ele pelo menos tenha a consideração de mencionar alguma coisa sobre os pobres cavalinhos. Falta estatísticas em nossos livros de história sobre isso. Falam da morte de trocentos soldados, mas nunca falam quantos cavalos levaram um tiro pelo dono, ou uma espadada, ou uma baionetada, ou um tiro de canhão, ou uma flechada [pegando fogo ou não].
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Liga da Justiça também é outro desenho em que a cidade de Metrópoles é constantemente destruída por vilões, extra-terrestres, monstros, aberrações, robôs, etc... e nunca colocam a baixa de mortes nos créditos finais do desenho. E os arquitetos, engenheiros e pedreiros também são fodas, visto que a cidade sempre é reconstruída em questões de dias ou semanas. Levando em consideração que eles destroem muito, mas muito mais do que os Power Rangers.
A Literatura Free também presta atenção na Televisão. Mas isso não significa que existirá uma Televisão Free. Também não precisamos ser tão pós-modernos.