Antes de viajar para o Ceará, no dia 24 de dezembro de 2011, aproximadamente 1 ano antes do fim do mundo previsto pelos Maias, eu tinha comprado uma revista chamada Guia de Filosofia, onde o tema era só sobre Nietzsche e seus escritos sobre a educação, mó interessante. Os dias se passaram no Ceará e eu fui me ocupando com um relatório de pesquisa e a leitura do guia de filosofia e mais dois livros de história econômica-social sobre a América Portuguesa, em especial o "nordeste colonial", termo em parênteses que indica que certamente o "nordeste" não existia, mas usamos tal termo para ficar melhor o entendimento, mesmo sendo anacrônico. Depois desses dias passados, não lembro se foi antes do ano novo ou depois do ano novo, eu recebi um livro do marido da minha prima: As intermitências da Morte, do escrito portugues José Saramago. Bem interessante, é claro, visto que sua maneira peculiar de escrita e o tema abordado por ele me fez devorar o livro em instantes, só que eu não estou aqui para tratar do livro do Saramago, e nem tenho paciência para isso, e nem vou o fazer, fazer crítica literária não é algo que eu me arrisco muito a tentar, pois não podemos julgar um livro pela capa e nem apenas pelo conteúdo da historinha narrada, e sim também por toda sua relevância social, política, cultural, psicológica, alienante, pessoal, paradoxal, non-sense e, óbvio, econômica, se partimos dos conceitos do marxismo vulgar da ex-URSS da época de Stalin, ou seja, um outro "José". A união desse livro com as minhas leituras simples do guia de filosofia do Nietzsche e educação me fez lembrar uma frase que eu certo dia falei para meu professor, que deu uma breve risada e acrescentou com um Muito interessante, é isso que você acha? Sim, professor, eu parei de ler depois que comecei a estudar, eu entro na faculdade e tenho 23 apostilas por matérias, todas elas colocando os novos livros e a nova historiografia que normalmente é passada por nossos novos professores, que estão empolgados com as mudanças e os debates teóricos históricos, e isso porque só alguns trabalham com alguns clássicos, que normalmente são deixados por nossas conta no trabalho e leitura informal de casa, levando em consideração que toda bibliografia passada por eles não representa nem 10% de um TCC e muito menos de um mestrado, nos fazendo ler ainda mais uma porrada de livros para construir um TCC normal e ainda sofrer a paranóia de um mestrado que ainda nem fez prova e nem sabe se vai passar, como se fosse um vestibular de medicina, por isso, somos maquinados a estudar sem parar, ler todos os livros do mundo, os que gosta e os que não gosta, para não pagar de vacilão em um debate de chaves teóricas e interpretativas, e no final de tudo o que me resta, ao falar de literatura, é sempre conversar sobre os mesmos livros de sempre que eu li na época da escola ou começo da minha graduação. E isso não é apenas comigo, um dia antes de voltar para Maceió, estava eu a conversar com minha prima, que está no nonoano (oitava série, algo do tipo), que também gosta de ler e que me disse que diminuiu o ritmo de leitura porque a escola passa para ela uma porrada de exercícios e trabalhos, sem contar os seus afazeres domésticos, fazendo com que ela parasse a leitura de alguns livros. Se eu parar e começar a pensar aqui, com meus olhos fechados, eu não lembraria do meu ultimo livro que eu li, sendo mais provavel que eu iria ou cochilar ou entao ficar pensando em como é que aquelas bolinhas coloridas aparecem quando fechamos os olhos, mas deixe-me pensar um pouco, não deve ser tão dificil lembrar do meu ultimo livro, já que eu leio poucos, por conta da faculdade, que não me deixa em paz, mas acabei de me lembrar de um livro que eu comecei mas não terminei, que foi os espiões, do Luis Fernando Veríssimo, devo ter parado nas páginas iniciais, acho que li umas 30, depois deixei de lado, e o ultimo livro completo que eu li que tenho em memória acho que foi o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, se não foi ele, foi Memórias de um Sargento de Milícias de Manuel Antonio de Almeida, pois é, tou mal, eu comecei a leituras de livros e não terminei, como o já citado os espiões e o triste fim de policarpo quaresma de Lima Barreto, pior também foi ter comprado Memorial de Aires de Machado de Assis e não li ainda nem a primeira linha, e isso já faz uns 2 anos eu acho. Mas também não creio que seja possível eu morrer e não conseguir ler esses malditos livros. Nessas horas eu tenho inveja de alguns argentinos de Buenos Aires, e por falar em Argentino, eu nunca li nada de Jorge Luis Borges, ou seja, puta que pariu!
Esse post não é dedicado a José Saramago, mas foi escrito no estilo dele, ou pelo menos o mais próximo possível, e admito que foi um exercício engraçado, apesar de não continuar a escrever mais assim, fico agoniado quando não uso parênteses, eu não aguento mais escrever vírgula, é como se não parasse, é como parar um cérebro, não se para um cérebro, agora eu sei porque os portugueses escrevem folhas inteiras sem parar, o que me fez lembrar de um livro de ensaios de um pesquisador portugues chamado Vitorino Magalhães Godinho que passava 7 páginas direta em um único parágrafo, quem sabe até mesmo 8, ou 9, ou meu Deus, até 10 páginas ou, cacetada, mais de 10 páginas em apenas um parágrafo, cheio de pontos e vírgulas e sufocante e empolgante e eu não consigo mais parar de escrever, argh, puta que pariu, alguem pára com essa porra!
Esse final foi em homenagem aos Mamonas Assassinas, para quem entendeu.
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