sábado, 31 de março de 2012

Literatura Free Now. Notas do cotidiano de Lisboa: Diálogo do bêbado no Arquivo Nacional Torre do Tombo

Todos os arquivos tem figuras interessantes. Você entra em um arquivo e já consegue ver os personagens principais daquele arquivo. Os que estão sempre ali. Os que dão vida ao arquivo. Os que mantém uma certa dinâmica no ambiente. Os que estão sempre em contraste com os outros pesquisadores comum, que estão ali, possivelmente, obrigados por algum trabalho acadêmico cujo interesse é zero.

Essa é a história do bêbado:

_________

- Senhor?... Senhoooorrr??????......

Ele estava cabisbaixo, meio zonzo, mas não tirava os olhos do laptop e nem do documento.

-Senhooor... - Disse o funcionário, tocando-lhe o ombro.
-Gruhujgrunff...
- Senhor, estamos fechando.
- Daqui... daqui... daqui eu não saio.
- Você precisa, senhor. Está tarde.
- E-e-eu não vou sair. Me traz mais um documento. - Diz o bêbado, ainda cabisbaixo, sem tirar os olhos do documento, e sem olhar pra o funcionário.
- Eu não posso trazer mais nenhum documento, você precisa ir para casa, pode deixar que eu chamo um táxi para o senhor.
- Eu não quero táxi, com quem você pensa que está conversando? - vira-se o bêbado para o funcionário... olhando-o nos olhos e levantando a mão, com o dedo indicador bem levantado, como se tivesse invocando os grandes pensadores ocidentais e atemporais que todo mundo conhece...

O bêbado continua

-... você sabe de quem eu sou orientando?
- Não, senhor - Responde o funcionário, já mal-humorado. - ... e não me interessa seu orientador.
- ...

Dois minutos olhando atentamente nos olhos do funcionário.

- você tem sorte... você tem sorte d'eu não chamar meu orientador para vir aqui.
- Senhor, mesmo se ele viesse aqui, ele não entraria, estamos fechando.
- Pois não vai fechar não... eu sou dono desse cabaré!!.. eu tou pagando!!!
- você não paga nada, senhor. O serviço é gratuito.
- E aquele 1 euro que eu coloco no cacifo, todos os dias?
- quando o senhor abre o cacifo, senhor, a moeda cai e você a pega de volta.

O bêbado então, fica parado, seus olhos estão olhando pra frente, óbvio, mas ele ficou tão desligado, mas tão desligado, que mentalmente seus olhos estava olhando pra dentro. Depois de 1 minuto ele disse.

- Eu sabia... eu sabia que tinha algo estranho ali.
- Eu sei que é uma pena, senhor. Mas precisar ir embora

O choro começa a tomar conta da conversa.

- Você não tem coração, sabia? Seu monstro. Tudo que eu quero é só mais um documento.
- Mas senhor...
- Não... está tudo bem.. você tem que ir para casa. Para sua esposa, que te ama. Tudo bem... expulse o bebum, o divorciado. Ria de mim, só porque eu tomo banho aqui na pia do banheiro. Eu nem causo tanto constrangimento.
- Mas senhor. todos os dias você chega aqui 9:40 e só sai daqui 19:30... sua única pausa é para almoçar... ontem o segurança teve que te dar um golpe de karatê para você desmaiar.

O bêbado então pára de novo, e novamente olha para o seu interior.

- ... ........ Pensei que tinha caído no sono.
- Você sempre sai machucado, senhor.
- E daí?? e daí?? tem problema uma pessoa gostar de fazer isso que eu faço?
- Senhor, me desculpe, mas você precisa de ajuda.
- Esta me chamando de doente? está me chamando de doente??

Ele então se levanta da cadeira, cambalea... olha ao redor do arquivo, observa as mesas vazias, sem documentos, sem maços, sem jornais, sem livros... então...

Oh, caro leitor...

ele se joga nos ombros do funcionário e começa a chorar.

- Não me expulse, cara, por favor, eu imploro. Eu sou um viciado. Eu preciso de ajuda.
- Está tudo bem, senhor, vamos chamar um táxi, ligar para sua casa.
- Ei.
- Oi.
- Eu já te falei do GEAC?
- Sim senhor, ontem. É o seu grupo de Alagoas Colonial.
- Não... não... ... ... ... ... não.... não...

Maior característica do bêbado: negar uma vez, e ter a incrível capacidade de travar na negação. O engraçado é que nenhum bêbado consegue travar numa afirmação. Bêbado só consegue falar "não"...

- não... ... ... o GEAC é o grupo de estudos América Colonial. Aí.. dentro do GEAC de américa colonial tem o GEAC que é grupo de estudos Alagoas colonial. Entende? é diferente.
- Sim. Entendi.

Maior característica de uma pessoa sóbria conversando com um bêbado: dizer "sim" para tudo, para poder concordar com o bêbado em tudo e assim evitar os travamentos de "não" dos bêbados. Mas, é uma jogada arriscada, porque pode acontecer com um bêbado paranóico-carente. Daqueles que odeiam ser mimados. Pode ser uma armadilha.

Era uma armadilha.

- Não... não... não... você não entendeu.
- Eu entendi sim, senhor.
- não.. você só está falando isso para eu me sentir confortável e assim ir embora. Mas eu quero a saidera.
- Não pode, senhor... temos que ir embora, já estou aqui com o senhor faz 15 min.
- A saidera, meu amigo... vamos láááá... vamos láááaááá... eu pago.. você me acompanha no último documento?
- <>... está bem, qual o documento?
- Há... é isso aí... você é o cara... grande potência... cabra macho. Marrento. Gente fina. Presença. Arretado. Raparigueiro todo. Sangue-bom. Meu bróder. Meu peixe. irmãozinho...
- O senhor queria me desculpar, senhor. Mas eu não estou entendendo completamente nada do que você está falando. Por algum acaso você está me ofendendo?

Nisso, chega o gerente do arquivo.

- Que palhaçada é essa?
- Esse senhor estava paleografando, mas não quer ir embora.
- Ele volta amanhã, ora pois. Ele está aqui desde que horas?
- Hoje? desde às 10:13.
- Pois. Chame um táxi.
- EI... eii... não discutam entre si por minha causa. Pode deixar que eu vou embora. Não quero que pessoas tão legais como vocês briguem. Vocês... vocês.. vocês são meus amigos.
- Sim... sim.. volte amanhã, certo?
- Amo vocês, caras.
- Vai embora, bebum.. venha.. eu mostro a saída.

Então o gerente foi levando o bêbado até a saída... ouvindo o bêbado melancólico e solitário.

- eu posso voltar amanhã né?
- sim, pode sim.. infelizmente nossos incentivos culturais fazem desse lugar um espaço gratuito para a sociedade. Uma pena.
- amanhã você paleografa uma comigo, certo?
- Claro, claro... somos amigos, certo? amanhã iremos paleografar um documento juntos.

E ele voltou.

Essa história não é verídica.
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Próximo post. A história do monge que recita mantras indecifráveis enquanto caminha pelo arquivo com documentos debaixo dos braços e arrastando os pés durante o andar.

domingo, 25 de março de 2012

Literatura Free Now. Exercício de poema simples, mas tão simples, tão simples mesmo, que não representa nada para a Literatura Free Now. É um paradoxo

Quem não cola
não sai da escola
passa o dia todo bebendo coca-cola
ou pega o dinheiro e cola com cola
e dá de presente para um cheira cola

Andando na rua tem alguém na minha cola
eu entro no supermercado para comprar uma sacola
ele logo percebe e de mim descola
e eu vou correndo para a minha escola


Literatura Free Now. A troca dos poemas terminados com "ão" por terminados com "cola".

quinta-feira, 22 de março de 2012

Literatura Free Now. A História de Coffee-Zombie, o operário de uma usina nuclear desativada por um acidente atômico.

Coffee-Zombie não acorda. Coffee-Zombie não dorme. Coffee-Zombie não toma café da manhã. Coffee-Zombie não precisa se preocupar com horário do expediente. Coffee-Zombie não sabe o que é atraso. Coffee-Zombie nunca viu a luz do sol. Coffee-Zombie trabalha 24horas - 7 dias por semana - 365 dias ao ano. Coffee-Zombie é o melhor operário do mundo. Coffee-Zombie não recebe salário e nem faz parte de sindicato.

Mas.

- Puta que pariu...!

Coffee-Zombie precisa de café para viver.

- Qual o problema? Coffee-Zombie?
- O café acabou!
- Você chama isso de café?
- É claro! pode ser verde, mas ainda é café.
- Mas não tem gosto de nada.
- Claro que tem.

Com isso, chega uma Zombie-Woman para atrapalhar a conversa:

- Meu batom está bonito hoje? Eu tenho o pressentimento que a periguete da sessão de apertadores de parafusos está tentando me copiar, porque no mínimo me acha super bonita. Aquela baranga.
- Por que você se importa com batom? Você só tem metade do lábio superior e metade do lábio inferior. É impossível analisar isso esteticamente.
- Humpf... homens... não sabem o valor da beleza. Se você não fosse tão ligado com a moda, não usaria chapéu, já que você não tem cabelo...
- Pois é, CZ, ela dessa vez te pegou.

[Coffee-Zombie era famoso por ser conhecido por CZ, o que deixava ele com um ar meio de descolado e de operário radical.]

- Essa conversa não tem nem pé e nem cabeça. Somos zumbis, trabalhando em uma usina de radiotividade que deveria estar desativada, por que devemos nos preocupar com belezas?
- Bem, isso não é problema nosso. O governo sabe que essa usina não pode desativada. Nós estamos aqui para fazê-la funcionar escondida. O Capital que essa usina gera é totalmente invisível para as Finanças do Estado mas completamente visível e palpável para os bolsos gordos dos homens de paletó...
- Hum... paletó.. - falou baixo Coffee-Zombie.
- Sim, paletó, aqueles que estão no comando, e que...
- Eu fico bem de paletó? - pergunta Coffee-Zombie para a Zombie Woman.
- Não sei, CZ, só se combinar com o chapéu.
- Entendo...
- Ei, ei... tem alguém aqui prestando atenção em mim?
- Oi?
- Eu estava falando sobre a nossa situação de classe aqui.
- Nossa o que? - Perguntou a Zombie-Woman
- Situação de classe...
- Classe? Ah, eu sou uma mulher de classe, digo, uma Zombie, visto que sou invejada esteticamente por outras barangas e piriguetes. Como foi que disse aquele filósofo? "A inveja deles é a velocidade do meu sucesso". Acho que foi Descartes.
- Pow, gostei. Profundo. Vou tatuar essa frase nas minhas costas.
- Não... nãoo... você não pode tatuar nada, Coffee-Zombie, sua pele já está caindo faz 2 meses. Como você quer escrever algo aí?
- Nem pensei nisso.

Nessa hora, toca o alarme, todos os operários tem que voltar ao trabalho [o que é totalmente esquisito, pois são todos zumbis e podem trabalhar incansavelmente sem parar durante anos, eles são máquinas perfeitas (exceto quando o braço de um cai na esteira de embalagem de biscoitos). Mas, todos nós sabemos o quanto os burgueses capitalistas empresariais tem um senso de humor altamente refinado. Tem algo mais engraçado do que perder alguns milhões só para ter o prazer de rir de operários com 20 min de descanso? Visto que eles não precisam disso? Podemos dizer que esses milhões desperdiçados a longo prazo é como se fosse o pagamento para se divertirem às custas da criação de uma nova classe].

- Droga, eu fiquei sem café.
- Isso não é café, CZ!!
- Ei, esse batom fica bom ou não? Vocês não responderam!
- Fica pra próxima.

Quando os dois zombies vão se afastando, o amigo de Coffee-Zombie vira-se para ele e diz:

- Temos que dar um nome à ela.



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Literatura Free Now. Ecos do pesadelo de Chernobyl, Fukushima, etc...


domingo, 18 de março de 2012

Literatura Free Now. Mais notas sobre arquitetura e Igreja. Argh!!

Pois bem, cá estou eu aqui de novo novamente. Para postar mais fotos e falar do dia de hoje.

O dia de hoje, pela manhã, foi meio confuso. Eu e as meninas iríamos visitar a Alfama (bairro), mas a nossa principal meta era a Feira da Ladra. Acabou que a feira era fechada em dia de domingo (só abre sábado e terça).

Pois bem, em primeiro lugar, fomos ao Panteão de Lisboa, uma igreja que, vendo pelo exterior, parece pequena... mas quando você entra... uau! é gigante e irada. Lá estavam vários túmulos, em estilo "corpo ausente", ou seja, eram túmulos simbólicos para portugueses "ilustres". Sinceramente, eu não estava NEM AÍ! fiquei mesmo fascinado foi com a arquitetura. Engraçado é que estava uma música no ar, um orgão gótico medonho bem bachiano. Porra, eu sai subindo as escadas e correndo atrás desse orgão, podendo jurar que tinha alguem tocando ele. eu estava hipnotizado. Acabou que não era nada, só música de fundo. hehehehe.

Depois do Panteão, fomos caminhando para a Igreja do Convento do... do... esqueci o nome (eu tenho a foto com o nome, mas estou com preguiça de olhar). Enfim, outra igreja bonita, grande, e bem ornamentada. Fiquei meio preguiçoso para tirar foto (sério, arte sacra às vezes abusa!). Então eu apenas filmei a Igreja, quando chegar em Maceió eu mostro.

Após a Igreja do.. do... (ah, dane-se!)... fomos caminhando até um miradouro (bem sem graça, por sinal, prefiro mil vezes o Domo do Panteão), la começou a fazer frio e foi nessa hora que nos separamos (Eu e Ingrid pegamos o elétrico [bondinho] para irmos embora enquanto que Vivian e Silvana foram para o Castelo de São Jorge).

Durante o percurso para chegar na praça da figueira, eu e Ingrid encontramos um grupo de turistas caminhando pelas calçadas (mas eram muitos turistas mesmoooo, parecia procissão). E, como bons brasileiros que somos, lá fomos nós, desistir de ir para casa, para descer no ponto dos turistas e ver o que raios eles estavam fazendo ali.

Era outra Igreja.

E lá fui eu, de novo, tirar fotos e filmar. Mas, por fato interessante, eu filmei uma missa e o CORO cantando. Ou seja, a Igreja era mais dinâmica que as outras =D. Depois acabamos entrando no Museu do Santo Antônio, que era pequeneninho, bem simples. Tiramos algumas fotos e de novo fomos pegar o elétrico para irmos embora.

Fui pra casa. Almocei. E liguei para Ingrid de novo.

- Alô.
- Alô, Ingrid.
- Oi.
- Hoje é aniversário da Nayara, e ela não pôde sair com a gente hoje, temos que ir visitar ela.

depois de muito blá blá blá... tive que ligar para Nayara, saber qual autocarro pegar para visitar ela, e assim todos (inclusive o Jefferson, que é bolsista da UFAL também mas acabou vindo antes de nós) iríamos passar um pouco pelo bairro da Alcântara e na "orla" do Rio Tejo.

Passeamos, presenciamos uma propaganda de alguma coisa, que não faço a menor ideia do que era. Mas era bem TOSCA.

Era tipo assim:

tinha um bugre (buggy) "estacionado" na orla. 3 modelos adolescentes magras de doer com roupas de banho (num frio de 12º), e um monte de jovem figurantes recrutados na hora.

A peça consistia no seguinte:

Tocava uma música de balada eletrônica. Os jovens figurantes dançavam feitos retardados enquanto as três modelos dançavam e faziam poses em cima do bugre.

E não, as poses não eram sensuais. As meninas subiam, e fingiam que estavam dirigindo, e subia e "dançava" em cima do bugre. Mas tipo, todas duras. Com medo de bater no bugre, de cair do bugre, de esbarrar na companheira. Puta merda, essa galera não sabe que para modelo dançar com naturalidade tem que embebedar ou drogar as meninas? Enquanto as modelos praticamente pareciam robôs, os jovens continuavam dançando feito retardados.

Fomos embora, era apelação demais para nossas mentes e olhos conservadores brasileiros.

Passeamos, voltamos, peguei meu autocarro e vim pra casa. tudo normal e tudo simples.

observação 1: *... Algumas fotos eu tirei da paisagem e sempre com alguem nela (normalmente as meninas), eu fiz isso para vocês terem uma ideia da dimensão do tamanho das paredes, das Igrejas, do chão, de tudo. Quando eu entrei no Panteão, que tirei as primeiras fotos, eu pensei: "poxa, parece que é pequeno, que aqui é simples"... então, comecei a tirar fotos com pessoas caminhando na minha frente, para vocês terem a ideia do tamanho do espaço.

observação 2: *... Tem outras fotos de uma rua "moderna", bem larga. É a avenida perto da minha residência. Eu até agora não postei nenhuma foto de nada perto de onde eu estou morando. Hahahaha. Logo logo eu tiro umas fotos da minha vizinhança. =D

aproveitem as fotos.


Ficou engraçado essa foto ter sido a última. E, de fato, ela é a ultima foto do album de hoje. hehehehe.

Literatura Mix-Activity-Day Free Now ... [O.o]

domingo, 11 de março de 2012

Mentir é feio né? Então eu vou dizer a verdade.

Não estou nem afim de escrever um post aqui. A prova disso é que esse post não terá título, porque estou com preguiça de colocar o cursor do mouse (aqui em Portugal se diz rato, HAHAHAHA, que merda...) lá no box do título.

Enfim, meu dia de hoje foi simples. Puro passeio na parte baixa da cidade, a que foi destruída no terremoto de 1755, e reconstruída por Pombal, the Motherfucker.

A ideia principal era visitar um elevador antigão, e muito fodão, construído em 1902. (sério, me desculpem, tinha um monte de plaquinha falando da história do elevador, mas eu estava morrendo de sono e preguiça de tirar foto ou ler sobre a história do elevador. Então, pesquisem na internet, eu só queria tirar foto da vista e passear. Meu lado historiador tinha ficado em casa dormindo, hoje eu acordei arquiteto urbano).

A outra ideia era visitar as ruínas de uma Igreja, convento, eu sei lá. que foi atingida pelo terremoto, destruída em parte, mas com as ruínas ainda vivas. Eu não sei direito a história, e nem posso arriscar, porque a Igreja estava fechada, então não pude tirar foto de interior, só do exterior (vocês vão identificar as fotos).

Como a Igreja estava fechada, fomos caminhar pelo bairro, tirado fotos das pequenas praças no caminho, das ruas estreitas, de tudo. Vocês vão gostar das fotos.

Eu já falei aqui em algum momento sobre o fato de que eu às vezes "me sinto" e também "não me sinto" em Lisboa? Pronto, hoje foi um dia em que eu me senti em Lisboa, porque aquela área era REALMENTE Lisboa, para o bem ou para o mal. Onde eu moro é área comercial-empresarial. Tem uns prédios antigos, umas ruas européias, que nem vemos nos filmes. É uma área européia, mas européia contemporânea mesmo. Ou seja, uma área burguesa, bonita e moderna-contemporânea. Diferente da Lisboa histórica e monárquica-moderna.

Aproveitem as fotos.



Literatura Free Now - Arquitetura Lisbon.

sábado, 10 de março de 2012

Literatura Free. Notas sobre a filhadaputagem nos preços dos livros no Brasil.

Esse post na verdade é uma adaptação de um e-mail que eu mandei para meu pai. Aproveitem e se divirtam com ele.

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Bem, até agora, em dois meses (fevereiro e março), eu já comprei 11 livros.

OS DESCOBRIMENTOS E A ECONOMIA MUNDIAL - 4 volumes (obra completa). - 40Euros (10 euros cada livro).
A EXPANSÃO MARÍTIMA PORTUGUESA, 1400-1800. - 1 volume. 23Euros (livro novo e atual, 2010, não existe edição antiga).
PODER E INSTITUIÇÕES NA EUROPA DO ANTIGO REGIME. - 1 volume. 9Euros (livro único, de 1984, nunca re-editado)
ESTRUTURA DA ANTIGA SOCIEDADE PORTUGUESA. - 1 volume. 10Euros.
HISTÓRIA E CIÊNCIAS SOCIAIS. - 1 volume. 5Euros.
TEORIAS DA HISTÓRIA. - 1 volume. 9Euros.
O ANTI-ÉDIPO: CAPITALISMO E ESQUIZOFRENIA 1. - 1 volume. 10Euros.
ENSAIO SOBRE A LIBERDADE - 1 volume. 5Euros.

TOTAL: 111,00Euros. ou seja, na cotação do Euro hoje (2,33), fica em reais = R$ 259,00.

Caro né?

Mas vamos ver esses livros no Brasil. Quanto eles custam:


OS DESCOBRIMENTOS E A ECONOMIA MUNDIAL -
Não existe volume 1 e nem o volume 2 disponível. Mas tente imaginar o preço caso alguém ponha para vender.

A EXPANSÃO MARÍTIMA PORTUGUESA, 1400-1800.
Volume único, não disponível em sebo. apenas na livraria cultura. R$ 122,00+ 15,00 de frete (aprox.). http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=11036963&sid=24716216914218634942650811

PODER E INSTITUIÇÕES NA EUROPA DO ANTIGO REGIME.

ESTRUTURA DA ANTIGA SOCIEDADE PORTUGUESA.

HISTÓRIA E CIÊNCIAS SOCIAIS.

TEORIAS DA HISTÓRIA.

O ANTI-ÉDIPO: CAPITALISMO E ESQUIZOFRENIA 1.
Volume único (edição brasileira). R$ 59,00 + 15,00 de frete (aprox.) http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=22124248&sid=24716216914218634942650811
Volume único (edição portuguesa, a que eu comprei). R$ 73,60 + 15,00 de frete (aprox.) http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=69144&sid=24716216914218634942650811

ENSAIO SOBRE A LIBERDADE

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Interessante né? Eu poderia deixar vocês aí rindo, tentando fazer de cabeça as contas sobre como seria o pagamento caso eu comprasse tudo isso no Brasil. Mas como vocês devem estar ocupados, eu mesmo vou fazer as contas para vocês na calculadora do Windows. Farei duas contas, uma pegando os preços mais baratos, e uma pegando os preços mais caros.

Livros mais caros. = R$ 1.033, 32.
Livros mais baratos. = R$ 780, 66

Interessante, né? Mas vocês devem estar se perguntando: "Ah, véi, mas alguns livros você colocou apenas 1 exemplo ou dois exemplos, como eu vou saber se não existe livros mais baratos?".

Mas aí eu respondo: "Cacilds, eu pesquisei na Cultura e na Estante Virtual. Eu fiz uma limpeza geral nos sites, gastei quase 1 hora escrevendo isso. Os ÚNICOS livros que existem maiores variações de preço são 'Ensaio sobre a liberdade', que varia de 4,00 até 20,00. E 'o Anti-Édipo...' que varia de 50,00 até 80,00". Logo, peguei o mais barato e o mais caro de cada um".

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Novas informações:

Esse post foi um e-mail que mandei para meu pai ontem (sexta feira, 09-03-2012). Hoje, sábado (10-03-2012), eu fui almoçar meu querido arroz com feijão fora de casa. Passei um tempão no ponto de ônibus. Depois passei um tempão dentro do ônibus. Desci em Belém. Depois esperei outro ônibus para ir para um lugar (vamos chamar de "bairro") chamado Algés.

Lá estava tendo uma feira de livros.

E lá fui eu. Atrás de livros de história já esgotados.

Me enganei.

Eram vários romances, livros infantis, livros de psicologia, de "história". Essas coisas. De fato eram baratos, mas nenhum me agradava. Eu comprei UM livro, pelo preço. O livro se chama:

Elites Mineiras Setencentistas: Conjugação de dois mundos. da Autora Virgínia Trindade Valadares.

O livro foi impresso em Lisboa, é original de Portugal.

Sabem quanto custa ele na livraria cultura?

Isso mesmo. R$ 83,20.

Lindo, né?

[não esqueçam, é livraria Cultura, tem o frete, que é caríssimo, ou seja, nosso livro sai lá pra mais de 90 reais]

Sabem por quanto eu comprei?

Pois é. por apenas 2,00Euros. Ou seja, no câmbio de hoje [R$2,33 para 1,00Euro]. Eu gastei R$4,67.

Mas vocês devem estar falando agora para a tela do computador: "Ah, mas deve ser um livro todo rabiscado, feio, destruído, com assinaturas, carimbos, folhas soltas, parágrafos inteiros marcados com caneta e marca-texto. e deve ser de 1950".

O livro está inteiro, novo, praticamente intacto, só faltava estar embalado. E custou 2euros. Incrível, não?

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Isso é sobre livros. Nos sebos de Maceió os romances custam 10 reais, 15 reais, até 20 reais. Aqui os romances custam 1 euro, 2 euros, no máximo 5 euros - quando a edição é recente.

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Enfim, eu acho que é só, tou com preguiça de tirar uma foto do meu novo acervo aqui em Portugal. Agora sim eu me sinto em casa. Eu acordo e vejo uma prateleira com livros. Olho para a escrivaninha e vejo um livro que estou estudando (antes era do Hespanha, agora é do Godinho), e olho para o criado-mudo ao lado da minha cama e tem outro livro (também do Godinho).

Pois bem, outro dia eu volto. Amanhã vou visitar uma Igreja toda destruída, da época do Terremoto de 1755. Algo do tipo. Eu trago as fotos e posto aqui para o pessoal ver.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Literatura Free Now. Notas para a posterioridade.

Na verdade eu não pretendo escrever nenhuma nota aqui. Já escrevi em um lugar melhor.



Como podem perceber, isso foi no dia em que eu fui à praia ver o pôr do sol. Só que as fotos estavam em outra câmera. Bem, agora está aí, uma nota para a posterioridade, riscada em pedra, que nem existe mais, porque já choveu e aposto que já deve ter apagado.

Mas foi um exercício legal de literatura free. Escrever em uma pedra usando outra pedra e tirar uma foto e postar no blog, que era para ser um local onde eu deveria escrever.


quinta-feira, 1 de março de 2012

Literatura Free Now. Visita ao palácio da ajuda.

Certo.

Essa visita foi domingo, só agora eu lembrei de que eu precisava postar algo. E lembrei a visita do Palácio da Ajuda que eu fiz.

É inútil eu falar como foi a visita. É algo comum, eu iria visitar com as meninas, só que eu cheguei atrasado e visitei todo o palácio da ajuda sozinho (é imenso, muito grande mesmo). Admito que é muito bonito e muito bem "ajustado". Mas, não devemos ser enganados: muitos itens ali foram doados, ou recuperados e essas coisas. Logo, é difícil saber quais momentos o Palácio da Ajuda foi um local opulento e cheio de coisas e altamente nobre; e quais os outros momentos em que o Palácio esteve faltando peças e acabou se tornando um espaço "vazio" e básico, apenas com os objetos indispensáveis para o funcionamento (ou seja, retirando toda a "perfumaria" do palácio e itens de enfeite).

Mas isso não muda o fato de que tudo era muito bonito e interessante, é como se fôssemos transportados para os momentos mais áureos do Palácio.

Admito que não fiquei surpreso com muitas coisas. Afinal, era o Palácio da Ajuda, a família Real morava lá. Tinha que ser uma casa fodona. Mas, o mais interessante, para mim, foi o jardim de inverno (a sala de mármore, pelo que eu me lembre). Porque, de fato, aquela sala era literalmente um jardim dentro de 4 paredes, o único lugar "verde" que se poderia ter no inverno. Um jardim altamente artificial.

Depois da visita, fomos todos para o Jardim Botânico, que ficava descendo a rua. É um local bonito, acho que é usado tanto para atividades acadêmicas, quanto escolares quanto turísticas. Bem calmo e aconchegante (apesar do frio gelado, o sol de 13:00 deixava o clima agradável). É um espaço cheio de árvores altas e tal, foi o único momento que eu me senti cearence, visto que o clima do espaço e a tranquilidade me lembrou rapidamente a serra, por conta do silêncio e do cheiro das plantas, além, é claro, do barulho das folhas se mexendo e dos galhos balançando por conta do vento.

Então, vão aí as fotos.


Bem, acho que é só isso. Logo logo postarei de novo, já tenho umas fotos e um assunto reserva.

Arquitetura-Fotografia de ambiente Now.