quinta-feira, 22 de março de 2012

Literatura Free Now. A História de Coffee-Zombie, o operário de uma usina nuclear desativada por um acidente atômico.

Coffee-Zombie não acorda. Coffee-Zombie não dorme. Coffee-Zombie não toma café da manhã. Coffee-Zombie não precisa se preocupar com horário do expediente. Coffee-Zombie não sabe o que é atraso. Coffee-Zombie nunca viu a luz do sol. Coffee-Zombie trabalha 24horas - 7 dias por semana - 365 dias ao ano. Coffee-Zombie é o melhor operário do mundo. Coffee-Zombie não recebe salário e nem faz parte de sindicato.

Mas.

- Puta que pariu...!

Coffee-Zombie precisa de café para viver.

- Qual o problema? Coffee-Zombie?
- O café acabou!
- Você chama isso de café?
- É claro! pode ser verde, mas ainda é café.
- Mas não tem gosto de nada.
- Claro que tem.

Com isso, chega uma Zombie-Woman para atrapalhar a conversa:

- Meu batom está bonito hoje? Eu tenho o pressentimento que a periguete da sessão de apertadores de parafusos está tentando me copiar, porque no mínimo me acha super bonita. Aquela baranga.
- Por que você se importa com batom? Você só tem metade do lábio superior e metade do lábio inferior. É impossível analisar isso esteticamente.
- Humpf... homens... não sabem o valor da beleza. Se você não fosse tão ligado com a moda, não usaria chapéu, já que você não tem cabelo...
- Pois é, CZ, ela dessa vez te pegou.

[Coffee-Zombie era famoso por ser conhecido por CZ, o que deixava ele com um ar meio de descolado e de operário radical.]

- Essa conversa não tem nem pé e nem cabeça. Somos zumbis, trabalhando em uma usina de radiotividade que deveria estar desativada, por que devemos nos preocupar com belezas?
- Bem, isso não é problema nosso. O governo sabe que essa usina não pode desativada. Nós estamos aqui para fazê-la funcionar escondida. O Capital que essa usina gera é totalmente invisível para as Finanças do Estado mas completamente visível e palpável para os bolsos gordos dos homens de paletó...
- Hum... paletó.. - falou baixo Coffee-Zombie.
- Sim, paletó, aqueles que estão no comando, e que...
- Eu fico bem de paletó? - pergunta Coffee-Zombie para a Zombie Woman.
- Não sei, CZ, só se combinar com o chapéu.
- Entendo...
- Ei, ei... tem alguém aqui prestando atenção em mim?
- Oi?
- Eu estava falando sobre a nossa situação de classe aqui.
- Nossa o que? - Perguntou a Zombie-Woman
- Situação de classe...
- Classe? Ah, eu sou uma mulher de classe, digo, uma Zombie, visto que sou invejada esteticamente por outras barangas e piriguetes. Como foi que disse aquele filósofo? "A inveja deles é a velocidade do meu sucesso". Acho que foi Descartes.
- Pow, gostei. Profundo. Vou tatuar essa frase nas minhas costas.
- Não... nãoo... você não pode tatuar nada, Coffee-Zombie, sua pele já está caindo faz 2 meses. Como você quer escrever algo aí?
- Nem pensei nisso.

Nessa hora, toca o alarme, todos os operários tem que voltar ao trabalho [o que é totalmente esquisito, pois são todos zumbis e podem trabalhar incansavelmente sem parar durante anos, eles são máquinas perfeitas (exceto quando o braço de um cai na esteira de embalagem de biscoitos). Mas, todos nós sabemos o quanto os burgueses capitalistas empresariais tem um senso de humor altamente refinado. Tem algo mais engraçado do que perder alguns milhões só para ter o prazer de rir de operários com 20 min de descanso? Visto que eles não precisam disso? Podemos dizer que esses milhões desperdiçados a longo prazo é como se fosse o pagamento para se divertirem às custas da criação de uma nova classe].

- Droga, eu fiquei sem café.
- Isso não é café, CZ!!
- Ei, esse batom fica bom ou não? Vocês não responderam!
- Fica pra próxima.

Quando os dois zombies vão se afastando, o amigo de Coffee-Zombie vira-se para ele e diz:

- Temos que dar um nome à ela.



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Literatura Free Now. Ecos do pesadelo de Chernobyl, Fukushima, etc...


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