segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Estava conversando um dia desses com Luis Fernando Veríssimo e Alberto Lins Caldas:


- Bem, eu suponho que devemos abrir uma discussão sobre o Horror na literatura: Moby Dick, O Coração das Trevas, essas obras.
- Ou então podemos falar de labirintos, Brasil de hoje em dia, a situação da China.
- A hermenêutica do Brasil. hum. Coisas da Máquina Tribal.
- Máquina o que?
- Máquina tribal.
- É uma teoria da história que ele tá desenvolvendo e tal.
- Quem é você?
- Eu sou o Allegro.
- Nunca ouvi falar.
- ...
- Ulysses é um bom exemplo de horror, não acha?
- Como assim horror?
- Não sei, pode ser o horror alienante, o horror pessoal, a descrição de uma sociedade horrorizada, você lê Ulysses e sai da obra vazio, ela nada te ensina.
- Já lesse Ulysses, Franco?
- Do James Joyce?
- Sim.
- Não...
- Ah.
- Enfim... Jorge Luis Borges.
- Não acho Horror.
- Labirintos não são horrorosos?
- Dependendo de onde está.
- Como dependendo se todo local do labirinto é um lugar que não é lugar, não existe o conceito de "ponto" no labirinto, nada é o que parece ser.
- Bem, depende do lugar.
- Que lugar?
- Dentro ou fora do Labirinto.
- ... é verdade.
- E você Allegro?
- Nunca entrei num labirinto.
- Estamos falando do Jorge Luis Borges.
- Nunca li.
- Ah.
- Hum...
- Quem te chamou héim?
- Eu sou o dono desse prédio.
- Pensei que era o Monte Pitão.
- É. tipo, a gente usufrui.
- Esse prédio é um labirinto?
- Não.
- É uma selva vietnamita?
- Não.
- É um oceano?
- Não.
- Que merda!
- POis é, né?
- Quer saber? Eu vou sair daqui, Italo Calvino e Nabokov estão me esperando. Vamos tocar café ao lado do Salgadinho, quem vomitar primeiro tem que recitar um verso de Renato Russo.
- Eu vou pra casa, ninguém nessa cidade entende ou quer entender a Máquina Tribal, mas eu não tenho culpa, isso são coisas da Máquina Tribal.
- Eu... acho... que vou ficar aqui, tenho que finalizar esse post.
- O que é Máquina Tribal?
- É aquilo que vai te fazer vomitar primeiro e recitar um verso de Cazuza.
- Renato Russo.
- Mesma merda.
- Enfim, vamos?
- Pera, posso chamar um amigo.
- Claro, quem?
- Nietzsche.


Luiz Fernando Veríssimo sai alegremente, conversando com Alberto Lins Caldas sobre Renato Russo, Cazuza, Máquina Tribal e teoria da hermenêutica literária do presente em forma de prosa e pós-modernismo exacerbado de jornais burgueses.

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