domingo, 13 de novembro de 2011

João Fragoso, o Shenlong da História Colonial.

Ler atualmente João Fragoso é um saco. Muito bom, mas um saco. O historiador ultimamente é um dos "cabeças" de um novo modo de encarar o estudo das dinâmicas entre "centro e periferia" que aconteciam com Portugal e "Brasil" na época que é enquadrada como "Brasil Colônia". Mas, além de fazer estudos das relações das elites "brasileiras" (vou para de usar aspas, a partir de agora o leitor vai saber onde elas deveriam estar), o historiador brasileiro trata também por estudar as dinâmicas sociais e econômicas dos bandos, grupos, elites, famílias (parece que ele nunca encontrou um termo certo... e o engraçado é que vale todo tipo de termo, menos "classe"), aqui dentro da colônia portuguesa.

Fragoso é quase um líder em uma série de estudos sobre a dinâmica da sociedade portuguesa no Brasil (uma espécie de Antigo Regime nos Trópicos)... ainda mais com o falecimento de Maria de Fátima Gouvêa, o historiador acabou tomando para si a responsabilidade (em termos de amizade, não de "roubo de tema") de seguir adiante com projetos que a historiadora tinha em mente e em trabalho.

Mas, onde eu quero chegar? Ora bolas, quem me conhece bem (desde a minha atuação no blog Monte Pitão e Seus Ministros), sabe que eu tenho que avacalhar com o tema. Se eu fosse apenas fazer uma resenha crítica sobre o João Fragoso, eu faria isso em um programa de editor de texto e mandava para uma revista científica para ganhar pontos no Lattes e assim blá blá blá.

Enfim, a piada é a seguinte: Ler João Fragoso é um saco. O cara está a plenos pulmões escrevendo sobre teoria e métodos de análise da dinâmica portuguesa no Brasil. Mas, tirando "O Arcaísmo como Projeto" (livro feito em parceria com Manolo Florentino), o historiador não lançou nenhum livro (pelo menos que eu tenho conhecimento, tirando a sua tese de doutorado: "Homens de Grossa Aventura"), se jogando apenas nas escritas de artigos e ensaios (a maioria em parcerias) em diversos livros organizados e revistas de história pelo país e mundo afora.

Bandos.
Nobreza da terra.
Antigo Regime nos Trópicos.*
Monarquia Pluricontinental* (essa não é dele, e sim do Nuno Gonçalo, que ele e a Maria de Fátima Gouvêa acabaram por maturar melhor a ideia, que na minha opnião, ainda falta muito para maturar).
Redes Governativas.*
Ideia de autogoverno.
Economia do bem comum.
Economia política de privilégios (do Dom).*
etc.

O engraçado é que tais ideias aparecem esporadicamente em um artigo ou outro, de modo às vezes embrionário, às vezes bem trabalhado. Laura de Mello e Souza foi quem observou que não sabe de onde o Fragoso tira a diferença de "bando, família, nobreza da terra", que aparecem em textos separados sobre o mesmo assunto, ou então dividem o mesmo texto. Mas isso é o de menos. Engraçado é que em um texto "x" sobre bando o historiador invoca a sua concepção de "Antigo Regime nos Trópicos". Enquanto que no texto "y" sobre Ideias de Autogoverno, ele vai destrinchando sobre a ideia da Economia política de privilégios. Ou seja, o cara divide seus estudos em duzentos artigos e revistas. E até agora, não há um prazo para ele juntar tudo e criar um livro sobre isso.

Concluindo:

Estudar João Fragoso é como procurar as 7 esferas do dragão. Você vai viajando pela internet e comprando (ou baixando, ou pegando emprestado) os mais variados livros onde ele escreveu artigos. Além, é claro, de procurar outros artigos nas revistas eletrônicas. E ainda tem textos em revistas impressas, que não foram digitalizadas, etc... só para ilustrar alguns exemplos.

Revista Tempo
Livro Antigo Regime nos Trópicos
Livro Na Trama das Redes.
Livro Conquistadores e Negociantes.
Livro Brasil no Império Marítimo Português
Livro O Arcaísmo como projeto. (esse é livro dele completo, ao contrário dos outros, que são organizados com vários artigos).
Revista Topoi.
Livro Optima Pars.

e ainda tem um artigo de um outro livro, que eu sempre esqueço qual é... (eu não tenho esse artigo), onde ele vai colocar a sua concepção de "Economia política de privilégios" com a Maria Fernanda Bicalho e a Maria de Fátima Gouvêa. Se eu não me engano, essa mesma ideia desse artigo foi reciclada e publicada também em uma revista de Portugal.

Ou seja, continuando a conclusão. Você tem que construir um radar. Viajar pelo Brasil e por Portugal com uma galerinha do barulho, coletando todas as esferas do dragão (artigos do Fragoso). Lutando contra inimigos barra pesada que cobram 70 reais por livro, etc. No final você vai reunir todos os textos, colocá-los sobre uma mesa. Assim, todos começarão a brilhar e um barulho meio estranho vai começar a emanar deles, como se estivessem em sintonia e havendo uma grande troca de energia. Então, você tem que levantar as mãos para o alto e falar as palavras mágicas:

- OH GRANDE DRAGÃO JOÃO 'SHENLONG' FRAGOSO, SAIA DAS ESFERAS E ATENDA NOSSO DESEJO.

Com isso, o céu começará a ficar escuro, nuvens negras irão aparecer do nada, o dia virará noite (mas se for de noite, tanto faz, irá apenas aparecer nuvens negras). Trovões irão abalar as estruturas do local, janelas irão tremer com a força dos ventos, raios cairão nos pára-raios (o ministério dos historiadores informa: invocar João Fragoso perto de uma árvore pode lhe causar a morte, esteja sempre em um local seguro e perto de pára-raios). Logo após os efeitos especiais, um grande dragão de cavanhaque sairá dos textos, ele terá 80 metros de cumprimento, e sua voz é tão imponente quanto seus textos. Ele falará para você:

- Como grande procurador dos estudos coloniais, eu lhe concedo 1 desejo.

Oh, grande leitor! pense bem antes de pedir qualquer coisa. Alguns pedirão a calcinha da Bulma, como o Oolong fez na primeira aparição de Shenlong no Dragon Ball. Outros pedirão que Fragoso junte todas as suas ideias em um único texto e lance o livro, para nos poupar de sofrimento de procurar todas as esferas (artigos) do dragão novamente e assim pedir outro desejo e blá blá blá...

Eu preferiria baixar os preços dos livros...

- Oh, grande Dragão João 'Shenlong' Fragoso, abaixe os preços, de R$ 70,00 para R$20,00.
- *respiração profunda típica de dragões*... Hum.... aí você me quebra cara.
- Porra, Fragoso, quebra um galho aí. Cada livro caro "bagaraio".
- Bem, é o seguinte, toda pesquisa envolve muito dinheiro, logo, comprar meus livros é gastar dinheiro. Procurar as esferas do dragão é gastar dinheiro também. Você nunca reparou que só os bolsistas CNPq podem procurar as esferas do dragão? é difícil ter financiamento.
- Porra, que elitista do cacete.
- Não, pera aí... eu estudo as elites, mas não desejo uma sociedade como a de Antigo Regime.
- Pois então eu quero lhe pedir uma coisa.
- O que?
- Que você no seu próximo artigo, ao invés de tratar bando, família, nobreza da terra... etc... trate de CLASSES. Classes na colônia.
- Não.
- Como é?
- Não mesmo.
- Mas é meu pedido.
- Sim, meu filho, mas para tudo tem um limite. Você já tá forçando a barra de novo. Não sei qual foi o pior pedido. Abaixar os preços dos livros ou colocar classe na colônia.
- Então... vou ter que apelar.
- Diga logo, tou ficando abusado, quero ir almoçar, tou morrendo de fome.
- Quero que você me cite no seu próximo artigo.
- Okey. Pedido concedido, no meu próximo artigo, seu nome figurará como grande expoente do estudo da Economia Política e Mentalidade Econômica em um espaço que tem denominação acadêmica de "Alagoas Colonial".
- Beleza, agora sim meu Lattes vai ficar supimpa.

E assim, Fragoso volta para as esferas. Que param de brilhar, levantam e explodem em diversas direções do mundo, esperando que o próximo estudante aperriado vá procurá-las de novo. Porque tudo vai começar com o artigo do livro Antigo Regime nos Trópicos. Que fala sobre tudo, e referencia um monte de coisa, que você tem que procurar depois. E o pior, referencia ELE MESMO. PUTA QUE PARIU.

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