segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

"Literatura" Free Now. notas sobre o ser humano "ideal".

Eles não existem. Mas querem fazê-lo existir. E isso está me torrando os nervos.

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Todo seriado tem um grupo de personagens. Sempre há um personagem que a gente se identifica. A maioria são esteriótipos, o que deixa mais fácil a digestão da personalidade dele (é óbvio que para os roteiristas, isso fica ainda super mais fácil). O problema é que existem personagens "irreais". Que sempre existiram, mas eu acho que ultimamente eles estão se proliferando mais, ou então é porque eu estou ficando mais atento à essas séries. Vou enumerar 4 personagens atuais.

1- Sheldon
2 - Dexter
3 - House
4 - Bones

O que todos eles tem em comum (ou "quase em comum", visto que uns são mais excessivos que os outros):

-> ... A maioria sofre de personalidade psicótica intensa, sinceridade aguda e o famoso "fala na cara e não está nem aí"... além de serem extremamente inteligentes, o que faz a arrogância deles terem todo o sentido e vira até charme, para quem está longe do raio de ação.

" O House é arrogante, mas ele é foda, ele sabe tudo, ele é o cara. Ele simplesmente pode!".

Eu usei o House como exemplo porque eu particularmente gosto dele, dos quatro é o que eu mais gosto porque sinceramente é o único cuja "radicalidade sentimental" me faz rir.

* Sheldon é idiota, escroto e irreal. Tudo bem, é um programa de comédia, é para fazer piada nerd. Piada dos nerds. Explorar o lado nerd de cada um. Mas, cá entre nós... o Sheldon é nerd? O Sheldon nunca será nerd. o Koothrappali é nerd, e o Wolowitz é o mais nerd de todos, é só ver o relacionamento dele com a mãe e como ele dá em cima das mulheres e o jeito que se veste e etc... O Sheldon é um produto irreal dos editores, eu aposto que o Sheldon foi o último personagem a ser criado quando a série estava sendo produzida. O Sheldon é "annoying", ninguém aguentaria um Sheldon por perto de você, visto que ele não ajuda em NADA (ao contrário do House, do Dexter e da Bones, que tem utildades práticas). Sério, não deem mais audiência ao Sheldon, nem participem de comunidades, nem facebook, nem twitter, eu sei lá. Sheldon deve ser enterrado nesse exato momento. ELE NÃO É ENGRAÇADO.

* Dexter é um psicopata nato. É MUITO DIFÍCIL falar do Dexter, para mim é impossível. Ele não é um ser "radical". Eu nem sei como enquadrar o Dexter, visto que em todas as temporadas ele tem algo para "quebrar e aprender". E até hoje é algo que estoura miolos de psiquiatras e psicólogos P.hD (e alguns jornalistas idiotas que acham que sabem das coisas. pfff, que comédia): Como funciona a mente de um psicopata. E o pior, um psicopata inteligente e extremamente "controlado", seja pela criação do pai ou pelo próprio fantasma do pai que aparece sempre para dar umas olhadas dele. Dexter é interessante, visto que é algo "sociologicamente" interessante para se discutir, mesmo que chegue um psicólogo ou psiquiatra e diga: "tudo aquilo é besteirol". É impossível não assistir Dexter sem parar para pensar ou discutir com alguém sobre o comportamento dele.

* House. Esse é também complicado. Eu nunca assisti House quando estava no Brasil. Aqui em Portugal tem Tevê a cabo e pega fox. Então, todas as tardes eu assisto House (dois episódios consecutivos). E é bem interessante. Eu assisto para reparar no comportamento do House. Diagnosticar House é interessantíssimo. Os pacientes também são interessantes, visto que todo paciente tem um "Q" sociológico que sempre faz complicar as operações. E sempre um dos médicos da equipe do House se identifica com o paciente e demonstra um pouco de humanidade além da "frieza médica". Mas eu continuo preferindo estudar o House, sua personalidade e sua arrogância que à primeira vista tem 100% de sentido, mas que na verdade não tem tanta lógica assim. E não é apenas a arrogância médica do House, é também sua arrogância social (racional), seu uso da razão é exacerbado, isso deve ser avaliado melhor.

* Bones. Essa agente policial, tanto de campo quanto de laboratório, é uma gênia, ultra motherfucker, mas, ao que parece, totalmente desprovida de sentimentos humanos como: falsidade, "jeitinho", sarcasmo, ironia, etc...". Eu conheço Bones ao mesmo tempo que conheci House (o seriado dela vem logo após). É difícil falar dela também, visto que, desta vez, eu sou mais curioso com os casos que ela e a equipe tem que resolver. A personalidade dela não me agrada, é como um Sheldon. É irreal, vazio. Só que o Sheldon é "annoying", argh!.

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Proliferação de pessoas "fodonas e perfeitas" e frias e desprovidas de sentimentos humanos como "culpa"... "timidez"... "receio de falar as coisas na cara"... "medo"...

Em um mundo capitalista-patriarcalista-marketeiro-hierarquizado-wallstreet-mercadodetrabalho-etc-etc-etc, onde a gente "engole sapo" o dia inteiro, todo dia, e temos que ficar calados, e vemos as pessoas se matarem a todo momento, e serem rebaixadas por quem nem deveria estar ali e etc e etc e etc... esses personagens são como uma fuga, uma válvula de escape, um personagem fictício que nós vemos na tevê e pensamos: "queria ser como a Bones, fazer meu trabalho sem se importar com os idiotas ao meu redor"... ou... "se eu fosse tão fodão quanto o House, mandava aquele outro bolsista tomar no .. e baixar a bola".

e etc... e etc...

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Espero que alguém tenha entendido o real sentido desse post. Que para mim, foi um exercício "Houseano" de analisar algumas pessoas com quem eu converso, esfregando coisas na cara deles por via desse blog. Ou seja, aqui estou eu num exercício tosco de imitar o House, só porque eu tenho um blog e escrevo de um jeito como se eu soubesse das coisas. Tsc tsc, apenas ilusões.

Literatura House-Dexter now. Sem Bones e sem Sheldon.

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