terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Literatura Free - Notas. sociedade

Eu não tenho tevelizão (que vem do inglês americano "tevê", que significa "tudo aquilo que mostra o que você tem preguiça pra ler"; e "lizão", que é uma expressão idiomática onde invoca a palavra alienação com algo de superfície lisa, o que para alguns filósofos vem de "tábula rasa") paga [aquela a cabo, que tem trocentos canais, sendo que 90% dos consumidores só usam 5]. Ou seja, me contento com as grandes (no sentido de espaço e dinheiro) e algumas pequenas (as melhores). Mas, eu tenho a MTV. E a MTV me surpreende, porque a MTV é uma tevê para o jovem, seja esse qual tipo de jovem for... No entanto, eu não vim falar do perfil do jovem que assiste a MTV, e sim sobre aqueles que sabem que o jovem MTV é tão tábula rasa quanto eu, que assisto MTV. A VEJA começou a fazer propagandas na MTV. Sua revista investe na imagem de que tem informação e cultura que serve tanto para suprir as necessidades imediatas do jovem [sem se pregar a um lado no maior estilo "economia e política é coisa de gente velha"], quanto para demonstrar o que ele deve preparar para o futuro [o que ele deve pensar, agir, profissão, ideologia. Em suma, subir degrauzinhos para ele gostar de economia e política].
Muitos aqui vão chegar e dizer: "Ah, nem sei praquê se preocupar com o jovem MTV, eles são emos, chorões, tem 14 anos, retardados, mimados, blá blá blá." e eu vou responder [e ser fuzilado por isso]: "Em uma guerra política a longo prazo, os mais jovens são os soldadinhos perfeitos". E isso vale tanto pra esquerda quanto pra direita. Não importa o quão imbecil seja um grupo [bando, conjunto de tribos] de uma sociedade. Numa guerra política tudo é arma. E engana-se aquele que pensa que os melhores soldados estão nas universidades.
Não sou filiado a nenhum partido de esquerda, nem direita, nem centro, nem porra nenhuma. Mas tá na hora de melhorar o marketing político.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Diálogos fictícios autobiográficos

- Eu já fui apaixonado por uma Rafaela.

O outro amigo então levanta a cabeça, que estava entre seus braços que estavam cruzados em cima da mesa. Na frente dos dois jaziam 02 copos de cerveja e embaixo da mesa jaziam algumas garrafas vazias. O amigo bêbado-sonolento que não tava nem um pouco afim de conversar solta a frase que não deveria ter falado. mas falou, porque estava bêbado-sonolento.

- Quem?
- Rafaela.
- Qué que tem?
- Eu já fui apaixonado por uma Rafaela.

Ele então respira fundo e lhe faz outra pergunta, sabendo que depois irá se arrepender profundamente disso.

- Quando?
- Ah, eu era novo, acho que 6ª série, não lembro a idade. E nem quero lembrar, acho que se eu esquecer a idade me sentirei menos idiota.
- Você era novo.
- Então, foi exatamente o que eu disse.
- Sei...
- Ela era bonita, inteligente, só tirava nota boa.
- boa?
- É... boa, 10, supimpa, tá dentro, iupii...
- Sei...
- Então, é isso aí, situação engraçada.
- Não acho.
- Não?
- Não.
- Claro que é engraçada.
- Não é. Você já tentou procurar ela no orkut?, ou facebook?, ou... ou... eu sei lá... quem sabe ela gostava de você, mas como vocês eram novos, tinham vergoinha, eu sei lá. Vá atrás dela.
- Quer saber? Eu vou!

....

3 dias depois os dois amigos se encontram.

- Ei.
- Ei.
- E aí? tudo traquilo?
- Tudo tranquilo.
- Cara, lembra daquela nossa conversa no bar? sobre a menina que eu paquerava?
- Sim. e aí?
- Procurei ela.
- E aí?
- Sem chances.
- Que triste.
- Pois é.
- E agora? o que fazer?
- Você eu não sei, mas eu vou pro bar tentar lembrar de outra paquera minha.



Literatura Beer Free

quarta-feira, 30 de novembro de 2011


achei interessante, recebi por e-mail, não tou afim de decifrar o site de onde foi tirado essa foto. Acho que tem uma marca d'água no meio da figura indicando isso. se virem!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Literatura Free [mais notas]

Hoje estava conversando com uma amiga, falando sobre blog, sobre minha (in)capacidade de escrever algo concreto durante um tempo. Em algum momento eu estava viajando e falei alguma coisa, e disse que nosso blog era um real caso de literatura anárquica.

Ela então me disse que não entendia disso, não era culta, e pensava que eu achava ela burra por causa disso.

Achei engraçado, e interessante. Afinal, nunca existiu a Literatura Anárquica (não confundir com a literatura anarquista, que é completamente diferente). Acabei por criar um termo. Eu acho. Meti isso no google e não vi nenhuma alusão à "Literatura Anárquica". Mesmo no sentido mais tosco e xulo possível, que é o sentido que eu uso: de uma literatura desordenada, sem obedecer a um padrão fixo e ainda se fazendo de desentendido dos outros movimentos literários. Enfim, nada de mais, todos chamarão o blog de pós-moderno do mesmo jeito.

Enquanto eu escrevia isso, acabei por lembrar de uma postagem em um blog de um professor meu, algo bem interessante. Ele pega a palavra "lixo" e cria um post em cima dessa palavra... invocando que tudo feito no Brasil, estudado no Brasil, escutado no Brasil, desenhado no Brasil e uma porrada de coisas é lixo da europa, lixo estrageiro norte americano. Somos comandados pelo lixo. Mesmo com a internet, que, em alguns momentos, nos botam em pé de igualdade com o nivel de informação de um Inglês na Inglaterra, apesar de recebermos a mesma notícia simultaneamente, seja aqui ou na porra da Tcheqslováquia, continuamos só analisando o lixo.

e achamos o lixo o máximo.

E para quem ainda não entendeu, a Literatura Free é lixo mesmo. Lixo europeu, lixo pseudo-brasileiro, lixo americano, lixo asiático, lixo de qualquer parte do mundo. O próprio nome é em Inglês, como se por causa disso, fosse algo universal. Mas, não lembro se em algum outro momento eu coloquei que a Literatura Free era algo brasileiro. Não é. Façam parte da Literatura Free.


O amor está no ar...

Mas o ódio também está.

E ambos fazem parte da Literatura Free.


Favor, não confundir com a Literatura Anárquica... não queremos que confundam nossa Literatura com Anarquia (no sentido político do termo). Não conheço muito sobre Anarquia. Só um pouquinho do Proudhon. E mesmo assim nem é o suficiente. Logo, é Literatura Free.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Contos paralelos II.

Meio da rua, apenas 2 pessoas.


- ei, você sabe onde fica a tibbits?
- rapaz, fica na avenida que o sérgio não sabe o nome.
- como é mermão?
- é uma avenida aí que o sérgio não sabe o nome.
- mas eu quero é saber se você sabe qual é a avenida.
- e eu lá sei, o sérgio me disse que não sabe o nome.
- esqueça o sérgio porra.
- você conhece o sérgio?
- não, não conheço.
- e o mário?
- que mário?

Contos paralelos I.

Achei... finalmente... um conto meu muito antigo que eu sempre gostei. vou postá-lo aqui...

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12:50

- Mermão, é hoje que a gente vai tocar fogo nesse ônibus filho da puta, vamos fazer protesto porque essa porra atrasa pra cacete.
- É isso aí mano, vamos deixar a lataria só no pó!!
- Que horas ele passa aqui?
- Todo dia ele vem de 13:00 seguido de outro logo atrás, ao invés de virem separados, bando de filhos da puta.
- fogo neles.
- fogo neles.

13:00

- Jajá.... tou com a mão coçando aqui, não paro de acender meu isqueiro, quero largar um cocktail molotov nele, tou doido já.
- eu também mano, quero fuzilar aquele ônibus de cabo a rabo.

13:10

- DEMORA DA PORRA, isso tá me deixando mais puto ainda, já preparei 3 molotovs, vou acender os 3 de uma vez...
- nem me fale mano, já coloquei minhas armas em ponto estratégicos, vou nem recarregar, é descarregando, jogando no chão e puxando a outra para descarregar.
- quero que chegue logo mermão, tou doido já.
- nem me fale mano, nem me fale.

13:25

- rapaz, eu sei que o Eustáquio Gomes demora pra cacete, mas isso é ridículo. Pera aí que eu vou perguntar para aquele estudante ali. Bicho, cê tá ligado que horas passa o Eustáquio Gomes Ponta Verde aqui?
- Cara, ele passa aqui de 12:20, aí fica sem passar nenhum até 13:00, nessa hora passa o gonzagão, que ninguém pega, porque não passa na ufal, aí uns 5 ou 10 min depois passa o Eustáquio que entra na ufal, mas hoje tá demorando pra caralho.
- Valeu pela a informação mano.
- Disponha.
- bora esperar bicho, a gente consegue.
- bora

13:32

- velho, desisto, sério, puta que pariu, que frota de ônibus ridícula do caralho, quer saber? eu vou embora, porra!
- pow mano, aguenta mais um pouco, ele vai ter que passar.
- não, eu vou embora dessa merda de ponto de ônibus, caralho!
- pow, amanhã a gente volta?
- vamos pensar, vamos pensar.


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e é assim que se atrasa um protesto. como podemos protestar contra algo que nunca está onde deveria estar? Estamos fazendo errado, temos que calcular direito.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Literatura Free II

Conversando um dia desses com meu professor, estávamos a tentar explicar para uma outra professora a inutilidade das drogas ou do alcool para a produção literária, musical... artística em geral.

Ele utilizou um autor aí cavernoso da literatura, disse que ele virava 4 garrafas de gin por dia. Mas, a pergunta fica: Nesses dias de bebedeira ele conseguia pelo menos escrever um conto?

Ou... [nessa parte eu acrescentei]... o conto seria, nada mais, nada menos, do que a ressaca? Logo, o seu estado de embriaguez não te faria ser um filhodaputa gênio, nem te daria asas e nem iria abrir sua mente como se fosse uma mansão com várias portas. Beber na literatura nada mais é do que você pegar seu cérebro (uma mansão), abrir todas as portas, bagunçar todos os quartos, trocar de quartos, gastar a água, atirar papel higiênico molhado nas paredes, passar trote, etc.. etc... Portanto, escrever um livro graças à bebida nada mais é do que escrever um livro sobre a sua experiência na ressaca, ou seja, arrumar o cérebro, esquecendo de onde você tirou aquela cadeira ou sem saber se a mesa em forma de guitarra fica melhor no corredor da sala de estar ou no quarto de hóspedes.

Isso me fez lembrar agora dos Malvados, uma tirinha do André Dahmer (preguiça de fazer link, copiem e colem... http://www.malvados.com.br), em que ele desenha a tirinha muito bêbado e a própria mensagem da tirinha são os dois personagens (malvadinho e malvadão) esculhambando com o autor, dizendo que ele não pode escrever bêbado porque não vai levar a porra de lugar nenhum. Engraçado é saber que o alcool está bem presente em suas tirinhas. Mais importante é ter a noção que muitas tirinhas falam de ressaca.

Arrependam-se, ó seres humanos indignos de salvação. A ressaca está sempre caminhando ao nosso lado, fazendo com que a gente tenha as ideias mais cretinas. Bebi pouco hoje, é verdade. Estou completamente sóbrio. E não estou de ressaca. No entanto, lembrei dessa conversa e acabei por trazer ela à tona. Qualquer dia farei o sacrifício de tentar escrever completamente bêbado. Algo bem difícil e quase impossível. Não esperem por algo assim. Escrever bêbado também não significa que será o ápice do limite da Literatura Free.


Literatura Drunked Free.

domingo, 13 de novembro de 2011

João Fragoso, o Shenlong da História Colonial.

Ler atualmente João Fragoso é um saco. Muito bom, mas um saco. O historiador ultimamente é um dos "cabeças" de um novo modo de encarar o estudo das dinâmicas entre "centro e periferia" que aconteciam com Portugal e "Brasil" na época que é enquadrada como "Brasil Colônia". Mas, além de fazer estudos das relações das elites "brasileiras" (vou para de usar aspas, a partir de agora o leitor vai saber onde elas deveriam estar), o historiador brasileiro trata também por estudar as dinâmicas sociais e econômicas dos bandos, grupos, elites, famílias (parece que ele nunca encontrou um termo certo... e o engraçado é que vale todo tipo de termo, menos "classe"), aqui dentro da colônia portuguesa.

Fragoso é quase um líder em uma série de estudos sobre a dinâmica da sociedade portuguesa no Brasil (uma espécie de Antigo Regime nos Trópicos)... ainda mais com o falecimento de Maria de Fátima Gouvêa, o historiador acabou tomando para si a responsabilidade (em termos de amizade, não de "roubo de tema") de seguir adiante com projetos que a historiadora tinha em mente e em trabalho.

Mas, onde eu quero chegar? Ora bolas, quem me conhece bem (desde a minha atuação no blog Monte Pitão e Seus Ministros), sabe que eu tenho que avacalhar com o tema. Se eu fosse apenas fazer uma resenha crítica sobre o João Fragoso, eu faria isso em um programa de editor de texto e mandava para uma revista científica para ganhar pontos no Lattes e assim blá blá blá.

Enfim, a piada é a seguinte: Ler João Fragoso é um saco. O cara está a plenos pulmões escrevendo sobre teoria e métodos de análise da dinâmica portuguesa no Brasil. Mas, tirando "O Arcaísmo como Projeto" (livro feito em parceria com Manolo Florentino), o historiador não lançou nenhum livro (pelo menos que eu tenho conhecimento, tirando a sua tese de doutorado: "Homens de Grossa Aventura"), se jogando apenas nas escritas de artigos e ensaios (a maioria em parcerias) em diversos livros organizados e revistas de história pelo país e mundo afora.

Bandos.
Nobreza da terra.
Antigo Regime nos Trópicos.*
Monarquia Pluricontinental* (essa não é dele, e sim do Nuno Gonçalo, que ele e a Maria de Fátima Gouvêa acabaram por maturar melhor a ideia, que na minha opnião, ainda falta muito para maturar).
Redes Governativas.*
Ideia de autogoverno.
Economia do bem comum.
Economia política de privilégios (do Dom).*
etc.

O engraçado é que tais ideias aparecem esporadicamente em um artigo ou outro, de modo às vezes embrionário, às vezes bem trabalhado. Laura de Mello e Souza foi quem observou que não sabe de onde o Fragoso tira a diferença de "bando, família, nobreza da terra", que aparecem em textos separados sobre o mesmo assunto, ou então dividem o mesmo texto. Mas isso é o de menos. Engraçado é que em um texto "x" sobre bando o historiador invoca a sua concepção de "Antigo Regime nos Trópicos". Enquanto que no texto "y" sobre Ideias de Autogoverno, ele vai destrinchando sobre a ideia da Economia política de privilégios. Ou seja, o cara divide seus estudos em duzentos artigos e revistas. E até agora, não há um prazo para ele juntar tudo e criar um livro sobre isso.

Concluindo:

Estudar João Fragoso é como procurar as 7 esferas do dragão. Você vai viajando pela internet e comprando (ou baixando, ou pegando emprestado) os mais variados livros onde ele escreveu artigos. Além, é claro, de procurar outros artigos nas revistas eletrônicas. E ainda tem textos em revistas impressas, que não foram digitalizadas, etc... só para ilustrar alguns exemplos.

Revista Tempo
Livro Antigo Regime nos Trópicos
Livro Na Trama das Redes.
Livro Conquistadores e Negociantes.
Livro Brasil no Império Marítimo Português
Livro O Arcaísmo como projeto. (esse é livro dele completo, ao contrário dos outros, que são organizados com vários artigos).
Revista Topoi.
Livro Optima Pars.

e ainda tem um artigo de um outro livro, que eu sempre esqueço qual é... (eu não tenho esse artigo), onde ele vai colocar a sua concepção de "Economia política de privilégios" com a Maria Fernanda Bicalho e a Maria de Fátima Gouvêa. Se eu não me engano, essa mesma ideia desse artigo foi reciclada e publicada também em uma revista de Portugal.

Ou seja, continuando a conclusão. Você tem que construir um radar. Viajar pelo Brasil e por Portugal com uma galerinha do barulho, coletando todas as esferas do dragão (artigos do Fragoso). Lutando contra inimigos barra pesada que cobram 70 reais por livro, etc. No final você vai reunir todos os textos, colocá-los sobre uma mesa. Assim, todos começarão a brilhar e um barulho meio estranho vai começar a emanar deles, como se estivessem em sintonia e havendo uma grande troca de energia. Então, você tem que levantar as mãos para o alto e falar as palavras mágicas:

- OH GRANDE DRAGÃO JOÃO 'SHENLONG' FRAGOSO, SAIA DAS ESFERAS E ATENDA NOSSO DESEJO.

Com isso, o céu começará a ficar escuro, nuvens negras irão aparecer do nada, o dia virará noite (mas se for de noite, tanto faz, irá apenas aparecer nuvens negras). Trovões irão abalar as estruturas do local, janelas irão tremer com a força dos ventos, raios cairão nos pára-raios (o ministério dos historiadores informa: invocar João Fragoso perto de uma árvore pode lhe causar a morte, esteja sempre em um local seguro e perto de pára-raios). Logo após os efeitos especiais, um grande dragão de cavanhaque sairá dos textos, ele terá 80 metros de cumprimento, e sua voz é tão imponente quanto seus textos. Ele falará para você:

- Como grande procurador dos estudos coloniais, eu lhe concedo 1 desejo.

Oh, grande leitor! pense bem antes de pedir qualquer coisa. Alguns pedirão a calcinha da Bulma, como o Oolong fez na primeira aparição de Shenlong no Dragon Ball. Outros pedirão que Fragoso junte todas as suas ideias em um único texto e lance o livro, para nos poupar de sofrimento de procurar todas as esferas (artigos) do dragão novamente e assim pedir outro desejo e blá blá blá...

Eu preferiria baixar os preços dos livros...

- Oh, grande Dragão João 'Shenlong' Fragoso, abaixe os preços, de R$ 70,00 para R$20,00.
- *respiração profunda típica de dragões*... Hum.... aí você me quebra cara.
- Porra, Fragoso, quebra um galho aí. Cada livro caro "bagaraio".
- Bem, é o seguinte, toda pesquisa envolve muito dinheiro, logo, comprar meus livros é gastar dinheiro. Procurar as esferas do dragão é gastar dinheiro também. Você nunca reparou que só os bolsistas CNPq podem procurar as esferas do dragão? é difícil ter financiamento.
- Porra, que elitista do cacete.
- Não, pera aí... eu estudo as elites, mas não desejo uma sociedade como a de Antigo Regime.
- Pois então eu quero lhe pedir uma coisa.
- O que?
- Que você no seu próximo artigo, ao invés de tratar bando, família, nobreza da terra... etc... trate de CLASSES. Classes na colônia.
- Não.
- Como é?
- Não mesmo.
- Mas é meu pedido.
- Sim, meu filho, mas para tudo tem um limite. Você já tá forçando a barra de novo. Não sei qual foi o pior pedido. Abaixar os preços dos livros ou colocar classe na colônia.
- Então... vou ter que apelar.
- Diga logo, tou ficando abusado, quero ir almoçar, tou morrendo de fome.
- Quero que você me cite no seu próximo artigo.
- Okey. Pedido concedido, no meu próximo artigo, seu nome figurará como grande expoente do estudo da Economia Política e Mentalidade Econômica em um espaço que tem denominação acadêmica de "Alagoas Colonial".
- Beleza, agora sim meu Lattes vai ficar supimpa.

E assim, Fragoso volta para as esferas. Que param de brilhar, levantam e explodem em diversas direções do mundo, esperando que o próximo estudante aperriado vá procurá-las de novo. Porque tudo vai começar com o artigo do livro Antigo Regime nos Trópicos. Que fala sobre tudo, e referencia um monte de coisa, que você tem que procurar depois. E o pior, referencia ELE MESMO. PUTA QUE PARIU.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sobre música clássica.

- Báh, tchê.
- Estranho, estávamos em silêncio faz 40 minutos e você fala Bach?
- Báh, e qual é o problema.
- Eu sei lá. Tipo.. carnaval, saca? Tchubirabirom. Essas coisas.

Outro amigo acorda e começa a falar:

- Tem aquela da mulher maravilha e do superman.
- Hum?
- Aquela pow.. que é meia pornô.
- Meia?
- Báh, pornozão.
- Bach não é pornô.
- ???
- Pera, acho que não estamos nos comunicando muito bem.
- Claro que não estamos... passamos 40 minutos sem nos comunicarmos. A gente praticamente recriou todo o processo de linguagem humana das cavernas até os primeiros sons articulados e entendíveis. Mas tipo... pegamos 40 milhões de anos e transformamos em 40 min.
- Entendo... quer dizer que...
- Báh, tchê.
- Não, Bach é o caralho. Eu tou falando que passamos 40 min sem falar porra nenhuma, isso é raro na sociedade hoje em dia, logo nós, que não conseguimos calar a boca nunca. Não me admira saber que depois de 40 minutos a gente não consiga articular as palavras e as frases direito.
- Então... e a escrita?
- Vai ser como voltar de férias na época da escola, a gente também desaprende a escrever. Até mesmo o próprio nome.
- Báh, tchê.
- Não acho que Bach e Che tinham esses problemas... eles eram homens determinados.
- Como?
- Como o que?
- Pera pessoal, as coisas estão meio confusas.
- Meio? O cara tá falando de Bach e Che a conversa toda. Qual o problema, pô?
- Meu nome não é Paul.
- Não Paul, pô... de porra!
- Credo.
- Báh, tchê

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Esse foi um pequeno exercício de diálogo entre 3 pessoas. E não sobre linguagem. É também um post em homenagem a J.S.Bach, nosso querido músico compositor que fez músicas engraçadinhas e algumas medonhas. Mas muito legal. Homenageio Che Guevara também, por todas as coisas que ele fez, e deixou de fazer, e que fudeu também, ele não é perfeito. Post também dedicado a Charles Boxer, um cara interessante, mas também interesseiro, e desinteressado por muitas coisas. Também aproveito e mando um alô pro Tarcísio, meu amigo de época de colégio que eu não vejo desde a minha 7ª série, não faço a menor idéia se ele está morto ou não. Anyway. É um post também dedicado à Inglaterra, para assim a gente atrair mais leitores ingleses e de outras nacionalidades - aqueles idiotas que são metidos a ingleses. Esperamos também que os Estados Unidos da América apareçam por aqui também, uma vez que os Britânicos vem e voltam. Franceses também são bem vindos, mas nada de Jean-Paul Sartre... é não... tou brincando, pode sim ter Jean-Paul Sartre aqui. Marx, como sempre, sempre tem a sua cadeirinha de sempre no cantinho da cozinha, com seu copinho de iogurte desnatado e seu Nescal Ball. No entanto, os escritores brasileiros como Jorge Amado, Gregório de Matos, Oswald de Andrade e um teatrólogo como o Dante do seriado Som e Fúria podem entrar e pedirem petiscos, mas estão terminantemente proibidos de falar dos índios, pois terão que admitir que são burgueses e se comportarão como tal, e nada de olhar feio para o Marx. Literários, historiadores e anarquistas Argentinos e da américa Latina também serão bem vindos, mas já sabem, todo contato entre Jorge Luiz Borges e Jorge Amado deve ser evitado.

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Esse pequeno exercício de escrita foi para mostrar mais uma vez que a Literatura Free é como um bar. Escrevemos bêbados. Sobre muita coisa, várias coisas. e Todo mundo aparece aqui para dar pitaco. Acabamos sempre brigando. e sendo enxotados pelo Barman que no final sai atirando para o alto com sua escopeta e que sempre grita: "Voltem amanhã".

E nós voltamos.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Desventura Literária #01 ou O Pior Post de Todos os Tempos

Era frio, muito frio, frio pra caralho...

- Cara, como está frio.
- Está fazendo 38ºC e pessoas estão sendo internadas por desmaio por causa do calor.
- Estou com febre.

Chega em casa, olha para o pai e diz:

- Está frio, eu sei, eu admito, mas nem por isso precisa acender a lareira.
- Isso é um fogão e estou tentando cozinhar o almoço, meu filho.
- Entendo, mas mesmo assim, aconselho que se agasalhe.
- ?

Liga o computador, entra na internet, procura as últimas fofocas dos famosos, lê sobre o big brother Brasil 11, o que rolou no último faustão, vai no twitter, lê os perfis de Rita Lee, Marcelo Tas, William Bonner, Barack Obama, Ingrid Guimarães, Luciano Huck e Hugo Chavez. Coloca o Exaltasamba para tocar enquanto lê e deixa seu msn como "ausente" com o seguinte nick - 'muitos tentaram ser melhores que eu, mas apenas eu sou melhor do que todos eles' - tenta negociar o abadá do show da Ivete Sangalo, entra um amigo no msn.

- karaio, akela prov de dirto constitucional foi de laskar.

E a amiga feia apita chamando atenção.

- Ammmmmmôôôôôrrrrrrrr vai p ivete eu ja komprei meu abdá e já tou preparada scutando os ultimos sucesos pq tou solteira e ja sei como vou aproveitar essa fexta que vai ser d+++++ tou poderozaaaa

E o primo chato de outro estado aparece também.

- Quanto tempo, kra.

Não responde ninguém, desliga o computador, vai assistir televisão. Encontra o pai assistindo Jornal.

- Não acredito nisso, ainda tem pessoas que usam faixas na cabeça.
- Isso é de que época?
- Eu sei lá, a feiura não tem época, feio é feio, o bonito é analisado esteticamente para cada povo e cada arte, o feio nunca foi analisado.
- Eu sou feio, pai?
- Claro que... nãooo... claro que não. E tenho dito. Sua mãe nunca te achou feio.
- Mas você achava mamãe feia, por isso se separou dela.
- Isso é uma mentira inventada por sua mãe, garoto, ela era linda quando estava com uma caixinha de cerveja...
- E sem a caixinha de cerveja?
- Ela... ela... ela... é... me proibiu de beber cerveja, e como eu não obedeceria isso calado, bem, foi um ultimato, eu ainda tive que aguentar muito por você, meu filho.
- Eu? Pensei que você suportaria a relação pelo amor de vocês dois.
- As coisas não funcionam assim meu filho, essa idéia que a sociedade carrega em que a família tem que estar sempre unida é balela, tem muita família junta que não vale 1 real, já nós, mesmo saparados, somos bons pais para você.
- Entendo, realmente, muito pouco me faltou na vida.
- Exatamente, agora vá brincar.

Ele sai, entra no quarto, sai, vai pra cozinha, passa pelo pai de novo, ele não nota a presença do filho, o mesmo vai até o quarto mas erra a porta... era o... banheiro... lá dentro ele encontra Raoul Duke e Dr. Gonzo... um com as roupas maltrapilhas e um som gigante nos braços, com vários fios, soltos e cortados, escutando White Rabbit nas alturas, estava com os pés descalços e em pé dentro da banheira. O outro tentava impedir o amigo de cometer suicídio. Após sair do banheiro correndo, escutando a música nas alturas, o mesmo torna-se a chegar e entrar no dito cujo profelixado local de corrida bruscas. Não se sabe ao certo o que era aquele local, mas o mesmo não tinha cheiro bom, apesar do nariz estar sangrando e uma forte tempestade de areia estar lhe causando dores nos olhos... após cair 4 vezes consecutivas e chegando ao 3º nível do subsolo de um prédio que tinha sido construído do térreo para o subsolo, abre os olhos, limpa o nariz e observa uma garota. Ela fala:

- Ei, como é que você está?
- Mal, quem és você?
- Errado!
- Ãh?
- Essa conjungação, está errada.
- Conju-o-quê?
- Ai, Cristo, que porra é essa? Vem cá, você vem de onde?
- Não sei, acabei de chegar com a lama.
- Ah, claro choveu e te arrastaram aqui né?
- Isso, eu acho, tentavam se matar, White Rabbit, Ivete Sangalo.
- Pera, pera, o que você disse?
- Sangue no nariz.
- Não, porra...
- Aqui tem torneira?
- Claro que tem.
- Ei, isso é Bad Religion?
- Sim, We're Only Gonna Die.
- Caralho, essa música é muito foda, dá vontade de sair quebrando as coisas.
- Pera, você não pode fazer isso.
- Ah, vá tomar no cu. Vou tocar o terror

Então pega uma cadeira, e sai quebrando no salão do prédio, tinha cara de ser aqueles salões de espera, cheio de vasos transparentes, quadros, sofáres. Essas coisas, primeiro começar lascando o vaso na parede... o primeiro, o segundo.. depois o terceiro na cabeça da garota que caiu no chão e começou a sangrar pelo corte na testa e na buchecha... após pegar o quadro da parede e começar a bater na menina que estava no chão de debatendo, vomitando em cima da poça de sangue e vomitando porque estava deitada com a cara lambuzada de vômito e sangue. ele decide pegar as almofadas do sofá e sacar na cara da menina e segurar até ela parar de se movimentar, por fim, pega o sofá, coloca em pé de depois joga em cima do corpo da garota... sai correndo pelas escadas, subindo até a superfície...


Continua...

domingo, 6 de novembro de 2011

Literatura Free Now!?

Este post nada mais é do que um exercício frankstein. A literatura Free Now não nasceu nesse blog, ela veio de antes, de um outro blog: o Monte Pitão e Seus Ministros. Por motivos diversos, o blog foi abandonado, e eu, que nunca gostei do nome, decidi manter a Literatura Free e criei esse blog.

Mas, “Now”!?. Sim, existe outro blog no mundo com o nome de literatura free. É só colocar no google e escrever, você vai achar.

Litera Free não servia, o nome tem que ser Literatura. Não pode ser litera, nem literatu, nem literis, nem literaturis, nem qualquer coisa coisa. Free Literatura também está fora de cogitação, esse blog não tem o intuito de salvar a Literatura. A literatura nunca precisou ser salva. A literatura é tão dinâmica quanto a vida do seu vizinho (assim como a grama dele... do mesmo jeito que a conversa ao seu lado que você não participa também é a melhor, etc...).

Mas, “Now”!?. Sim, eu precisava de alguma coisa para colocar no nome do blog para ele poder ser aceito. Coloquei outro nome em Inglês, o “now”. Pequena alusão à Apocalypse Now, filme do Francis Ford Coppola, baseado no livro O coração das trevas do Joseph Conrad. Enfim, se o apocalipse é agora, a Literatura Free não é Apocalipse. O agora não necessariamente precisa ser agora. Tal alusão foi feita mais em um quesito de que eu precisava arranjar um nome pro blog, e não por causa de alguma explicação subversiva que envolve o Apocalipse Now e a Literatura Free. Se não houvesse outro blog com o nome de Literatura Free, não existiria assim o Literatura Free Now. Começamos com um senso estético (o Now é mais bonito do que outra palavra), e agora estamos em um estudo aprofundado sobre o real motivo do Now. O Now não tem motivo underground. O now é simplesmente... bonito. E faz referência a outra obra artística e literária muito foda.


Perdão por todos os nossos erros de português, conjugação, sintaxe, nexo, qualquer coisa. Isso aqui não é licença poética, a gente [eu e você] não precisa disso, a gente precisa de estudo, admito, eu pelo menos tenho certeza disso. Mas, é característica minha ir escrevendo atropelando as palavras. Ou seja, escreve para ir esvaziando a mente. Logo, escreve rapidamente, abre a página do blog e já vai escrevendo, antes eu até ia para outro site procurar notícia e tirar piadas com ela. Hoje a situação vai mais no improviso, se antes os posts eram blues, passaram por jazz be-bop, hoje estamos no free jazz, como disse o Veríssimo em uma crônica que é um diálogo entre Jorge Luiz Borges e Benny alguma coisa: "Música é uma estrada, com começo, meio e fim, e jazz é um atalho." Não sei qual jazz ele estaria falando, porque atalho para mim, é sair de um ponto A para um ponto C sem passar por um ponto B. E venho aqui avisar de novo que os posts estão em uma categoria literária de Literatura Free - algo como licença poética em seu estado subversivo, - escrevemos como se fossemos bêbados, saindo de um ponto A, passando por C, indo para E, voltando para D, descendo mais para B, capotando em F, e, por incrível que pareça, indo para um alfabeto que começe antes de A, passando por letras que estão fora da linha reta do nosso alfabeto - imagine uma letra que fique ao lado de B, lembrando que A está atrás e C na frente.

Essa é a nossa literatura. Literatura Free.


Não estamos aqui falando mal do português ou fazendo manifesto de "jogue o português no lixo", isso aqui em algum momento pretendeu ser uma revolução literária, e não uma revolução gramatical, adoramos as palavras, e somos a favor de você desviar delas todos os dias para conseguir extrair o máximo de significados possíveis.

Um pouco de dialética: Para quê escrever em blog, criar um movimento literário, escrever um manifesto da Literatura Free se praticamente nem 20% do Brasil tem acesso à internet de banda larga e - desconheço e não gosto de estatísticas - MUITA gente é analfabeta? Como vão ler e como terão acesso à essa leitura? [isso não é dialética]. Isso não é um post sobre carnaval.

Crise temporal, erro temporal, Pós-modernismo temporal. Essas são as tosquices que se criam hoje em dia. Isso é pose. Isso é falta de capacidade de criar um verdadeiro Paradoxo. Os Paradoxos são complicadíssimos de se fazer, exigem atenção e muita esperteza literária, física e temporal. Não é com qualquer frase idiota. - "Você está ouvindo isso amanhã" é a mesma coisa que dizer que estou ouvindo algo hoje que escutarei amanhã. Afinal, os sons da propaganda são de carros batendo, "barulhos" de cidade... ou seja, coisas de cotidiano de cidade grande (no caso da propaganda, São Paulo Capital). Inventar e desconstruir Narrativas. Inventar e Desconstruir modelos de postagem, de poesia, de contos, histórias. Utilização de Metalinguagem. Ser Narrador-Personagem-Personagem-Narrador-Deus.

Isso é uma parte da Literatura Free. Ou então, tudo isso pode ser apenas mais um ato Pós-Moderno da Literatura Free, que nunca existiu e é apenas um boato. Cabe ao leitor decidir. Isso aqui não é um manifesto, nem um estatuto cimentado e estruturado com as bases de concreto e aço mais fortes dos 179.543 cantos do universo. A Literatura Free Now é algo em construção, algo que será construído. Mas, engana-se que tal blog será feito com posts cujo título será “Literatura Free [algum número]”. Também não existe um estilo literário para tal blog, para tal escrita. A Literatura Free Now é dinâmica, quase alienante (em um sentido meio marxista do termo), escrever é simplesmente um ato de Literatura Free Now. Sabe-se que toda escrita está imbuída e recheada de ideologias, violências, máquinas tribais, marxismos, cristianismos, fascismos, reacionarismos, infantilismo, pornografia, etc... A Literatura Free Now não está longe disso. Não é neutra. Não é científica. Ela apenas, ainda, por pouco tempo, não tem definição. Literatura Free não é a definição da Literatura Free Now. Isso é um título provisório, já que não posso simplesmente nomear e conceituar algo com o silêncio. O começo da Literatura Free Now já foi nomeado e conceituado. Cabe agora dinamizá-lo. E isso só mediante experiências. A ideia é levar até as últimas consequências a capacidade de infinitude da Literatura Free. E logo após chegar no seu ponto e transformá-lo em algo finito, procurar sua destruição será o objetivo principal de libertar a Literatura Free.